quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Reino de Papelão

Feito de realidade, num passe de mágica, fez-se a erguer no meio da sala.
Sem cor, mas com cheiro, talvez feito de amor, surgiu como o mar
e sumiu como ar
Eu não lastimei, mas senti a pontada
e depois passei uma daquelas pomadas, pra tentar aliviar.

Feito de açúcar sem ser refinado, tinha cortinas de fino trato
e a muralha que cercava era uma fita branca de cetim
E eu a sorrir, esperava o banquete e meus convidados.
Ilusão doce como a sobremesa, porque dentro de toda a beleza
só cabia a mim.


Ilusão amarga como coentro,
eu era o centro.
E no resto da sala
eu só via a porta.



E a minha enorme mala.

4 comentários:

Tiago Faller disse...

A ilusão surge, mas o vazio é que prevalece.

Lindo e profundo texto!

Mauricio disse...

arrepiou os pelin, juro ;**;

Celo Aglio disse...

léxico requintado.

Gostei da sensibilidade :**

Mauricio disse...

depois quero falar com você sobre esse texto :}