quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Avenida do Eu te amo.

Querida Alana,

Quero lhe contar umas coisas, que por várias vidas me fizeram voltar alguns metros enquanto eu achava que só andava pra frente. Quero lhe perguntar por quanto tempo estive longe. Preciso saber se demorei.
Estou morando em um lugar distante. Seria bom passar uns dias aqui comigo. Não tem nada. Nenhum barulho. Nenhum móvel, nem colchão. Trouxe de casa apenas uns pergaminhos e tinta... Pra te pintar em mim, e me pintar pra você.
O amanhecer aqui é lindo. Me faz lembrar daqueles dias em que você acordava mais cedo por minha causa. Me faz lembrar do cheiro daquela época... Te contei que ela tem cheiro?
E tem som também. Bem baixinho, quase não se ouve. Respiração, e só.

Ontem, antes de me deitar no chão que me falta, revivi seus movimentos, lentos. Até que eles se congelassem, pra eu poder guardar por mais um tempo.
Não sei se você vem, não sei se você volta, ou se vai ler o que senti nesta carta.
Na vedade eu só queria cuspir tudo isso, pra ver se esse eco de um grito sem som chega até aí. Sei que se chegar, vou receber seu sorriso na porta de casa, junto com o escurecer desse céu, que não vejo.

Não gostaria de enviar meu endereço porque eu vivo escondido no meu vazio, e tenho medo de alguém me achar. Espero que o destino envie esta carta empoeirada de lembranças para o destino certo. E quando a receber, cabe a você guardá-la contigo, pra que um dia, caso queira, venha por ela me visitar.

Avenida do Eu te amo, número 7.
Sem complemento... E a cidade você já sabe.

Lembra-se de quando sonhávamos em morar nesse endereço, sem ao menos conhecê-lo? Eu vivia a idealizar, enquanto você ria e dizia: "Só um colchão e uma caneca, não precisamos de mais nenhum adereço!".
E no meu próximo levantar, eu me via sem o meu eu e sem o meu par.
Saiu por aquela porta durante a madrugada. Eu jamais vi.

E hoje, depois de tanto te procurar em outras pessoas, depois de tanto cuidar de você mesmo não sabendo por onde pisas, depois de tanto me perder pela avenida que eu mesmo resido, percebi o meu erro.
Por vidas, caminhei sozinho.
Por vidas, caminhei contigo.
Mas por apenas um dia, eu não quis caminhar.

Justamente nessa mísera falta de vontade, falta de força e coragem, é que pequei. E percebi que talvez por isso você tenha saído pela minha porta, me deixando apenas um bilhete:



"Sabe quando se tem muita fome, e come e come e come, mas nada sacia?".

3 comentários:

Mauricio disse...

caralho, hein

Tiago Faller disse...

=X

Eu sei.

Talita disse...

Semrpe quis saber de onde tanta inspiração. caramba tu ta escrevendo muito e cada coisa mais linda que a outra.
te amo muito :*