sábado, 28 de fevereiro de 2009

Pique-esconde.

"...Dezoito, dezenove, vinte! Lá vou eu".


Corri até o lago.
Desci as escadas que levavam até o porão.
Passei três vezes pela mesma árvore,
pela estatueta de mármore,
e pelo jardim de margaridas.

Ah! E eu desesperava!
Despetalava,
Me sujava e me lavava
e quanto mais água eu botava,
mais eu me manchava!

Mas no final de cada pique,
no final de cada linha,
eu percebia que cores pra pintar era o que eu mais tinha!

Mas no início de cada palma,
no início de cada poesia,
eu descobria que ainda havia o resto do todo do dia.

E a cada segundo eu me despia.
E a cada roupa que caía, surgia outra melodia.
Nessa de se esconder, me aparecia sempre mais um lago,
mais uma escada,
mais uma árvore,
mais uma estatueta de mármore.
E mais mil e uma margaridas.

Ai, ai, são tantas voltas,
tantas vindas e vidas...

Tantas idas!

2 comentários:

Tiago Faller disse...

Não consigo parar de mencionar a profundidade e seriedade com que tratas as palavras. Sempre verdadeiras e certeiras!

Mais um lindo post! =)

Celo Aglio disse...

Que poesia, que arte maravilhosa!
Invejo sua capacidade - inerente - de captar o todo em pouca coisa que nos basta!

Gosei demais da conta!