sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Monólogo.

Andava a toa, sem pro lado olhar, sem a frente ver e com medo de morrer.
Fazia cara de mau, unhas grandes, facão e um pedaço de pau.
O carregava nas costas enquanto a chuva regava a culpa. O insulto na porta da boca, esperava a hora de mostrar a fúria. Na cabeça só ódio e lamúria.
Os amigos ele esqueceu há uns sete quarteirões. O cachorro fiel que o seguia fora chutado. Não servia.

Para ele, nada se via e ele nada dizia.

Dirigia-se em direção à orgia, mas sem nenhuma regalia.

Todavia, toda vida, ele não sabia que quem alimenta más intenções não pode entrar pelos portões brancos.

Foi então que passou ao seu lado, ele mesmo.
Preso em um mundo onde já não se pode mais pedir arredo.
Olho no olho, e o olho vermelho servia de espelho para o que se via agora à sua frente.

O outro ele só trazia um pente. E a vontade quente de se libertar daquela gente.
Agora, não se sabe se há vítima.
Pela sétima vez ele chamava a santa.


Até morrer com um rasgo na garganta.

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