domingo, 19 de outubro de 2008

Note e Anote.

"Vontade de escrever", era o que ela sentia.

De fundo, a voz do professor de matemática era ouvida por pouco mais de meia dúzia.

Ela, então, pedia licença para o mundo real e criava a sua própria condição de existência. Pintava seus números, arranhava suas palavras. Engolia amargura. Respirava um ar seco, cortante, tal como o do mundo lá fora. Refletia o porquê de tudo aquilo, refez todo o caminho percorrido da casa até a escola. Já pela manhã, não havia percebido se a vida lhe mostrara alguma lição. Só conseguia pensar em seu umbigo.

Talvez por isso sentia um gosto ruim em sua boca.


Finalmente, se isola e relata a receita de MUNDO:

- descrença picada

- 6 xícaras de chá de (des)interesse

- 3 colheres de sopa de ódio, bem cheias.

- pessoas egoístas a gosto

- uma pitada de sal.


Força a maioria tem estocada na despensa. Mais dia menos dia, ganha evidência.


Pois então, numa solução ela pensou:

Há um ingrediente que pode retardar tal efeito...


O amor.


Pra que o mundo se mostre menos imperfeito.

Um comentário:

CARBU disse...

Oi menina,esse que eu li é de uma pessoa bem egoíta né?(não a altora e sim a personagem)Mas no final vem o contraste que marca a criação poetica e fala do amor.IMPACTANTE.