sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A parentada

Um frango, dezoito cabeças.
Um cesto de roupa suja habita em mim. Dias chuvosos tomaram minha semana e o máximo que consegui foi deixar tudo de molho. Não suporto mais a sujeira da rua emplastrada naquilo que me veste.
Me perdi noite passada naquele frio, uma rajada foi o suficiente pra me despertar de um sonho bom, onde tudo era feito com vontade. Onde tudo era uma simples verdade. Acordo, desnuda, aflita, procurando sempre alguém do lado direito.


Mas me falta força e talento pra lavar 8 quilos de roupa suja.
Maldito apego que me puxa pra trás. Maldita paciência, maldita espera.
Maldito descaso, amor escasso, descompasso que toma conta da minha esfera.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Plano B

Não aguentei ver Alana daquele jeito, estirada na areia da praia a sufocar. Precisei chegar mais perto e tentar arrancar alguma palavra de minha própria boca, porque era eu quem padecia diante daquela cena amarga. Me lembrei do dia em que ela cozinhava e em tudo botava azeitonas sem caroço, cada gororoba que no final deixava um gostinho bem suave, como quem sente saudade. Me abaixei e ouvi meu joelho esquerdo a reclamar, mania essa, minha, de não querer tratar. Desci o ouvido bem perto de seu peito, mesmo sabendo que qualquer coisa que ela guardasse lá dentro ainda se via a apitar. Não sei o porquê da esperança, nem sei se tinha, se podia, se esperava. O ideal seria uma segunda chance... E olha que eu odeio toda segunda chance! Mas nesse caso cabia. Depois de todo o descompasso, o embaraço e aquele início sem meio nem fim, só me remetia a uma única coisa: Alana adormecia sem mim.

Isso jamais seria aceitável!
(Eu projetava a voz pelo espaço como aquele velho ator torto, surdo e impuro).
Depois de anos morando na Avenida do Eu Te Amo, me deixar solto pra qualquer inseto vir e me picar? E a alergia?





Querem mesmo saber?
Eu é que não fico aqui, infeliz, vivo e ao mesmo tempo, extinto.


Cansei de rimar alergia e alegria.

domingo, 25 de julho de 2010



Eu queria. Eu juro que queria.
Mas pra mim parece sempre vazia...

Sempre vai ser assim, como é, e não como eu queria.
Vai ser sempre vazia.

Show bar

Vim aqui compartilhar do meu desespero.
Eu gosto, eu gosto de sentir esse cheiro, mas não é de hoje que procuro cheirar outros cantos, pra não enjoar. Então eu me viro, olho, olho e me desaponto, como se esperasse encontrar alguém ali atrás.

Vim, na verdade, contar meu novo sonho.
Essa noite me custou a passar, passados que foram derretidos voltaram a me assombrar, me vi presa entre seis ou sete vidas, como um gato de rua e suas feridas. Então eu me pesco de volta, como se esperasse encontrar uma minhoca na isca.

... Vim abraçar o saudosismo.
Nesse exato minuto eu me lembro de quão inocente e amante eu me mostrava, ao mesmo tempo arranhava meu próprio pescoço, sem notar que era eu quem sangrava. Então eu subia no balcão, como aquela putinha alternativa a se mostrar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Exclamava olhos de desistência
Amargava a boca e o figo da semana passada
Engolia a plenitude que lhe faltava e escarrava a boa vontade ingerida no café da manhã.

Desossava o passado como se margarida fosse,
expremia a ferida e dois goles de tinta nanquim talvez bastasse.


Como se tudo fosse digerível...
Como se intuito, poesia e coração, fosse dirigível.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Acariciei minhas bochechas.
Nunca estiveram tão geladas...
Só agora eu entendo que o que eu não tenho, eu não tenho porque na realidade eu não quero.

Duas mãos, um coração e uma ferida.


Me definir nunca foi tão fácil.
E o pior é que ainda não acaba nessa vida.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sempre fui esse grito interno que vive a ecoar enquanto sinto. Sinto e muito, tanto que quando digo é por saber, qualquer dois ou três se somam em qualquer divisão mas nem sempre dá dízima, o que é incrível, se for parar pra pensar.
Tem dias que me bloqueio, tentando puxar pra mim o que fica lá na frente, ou o que eu acho que fica. Criei uma proteção ao que é descartável. Uma capinha, uma cápsula, um colete a prova de balas pra amortecer quando atirarem em mim. Senti, dia desses, a bala atravessando minhas pernas enquanto eu caía e tentava alcançar qualquer coisa segura. Não achei nada.O final vocês já sabem, tudo sumiu sem deixar meio indício.


Totalmente diferente de todos os inícios.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu já devia saber dos começos... Sempre tão equilibradamente perfeitos, metrificados, desmedidos, intensos e eternos.


Até chegar o meio.