Não aguentei ver Alana daquele jeito, estirada na areia da praia a sufocar. Precisei chegar mais perto e tentar arrancar alguma palavra de minha própria boca, porque era eu quem padecia diante daquela cena amarga. Me lembrei do dia em que ela cozinhava e em tudo botava azeitonas sem caroço, cada gororoba que no final deixava um gostinho bem suave, como quem sente saudade. Me abaixei e ouvi meu joelho esquerdo a reclamar, mania essa, minha, de não querer tratar. Desci o ouvido bem perto de seu peito, mesmo sabendo que qualquer coisa que ela guardasse lá dentro ainda se via a apitar. Não sei o porquê da esperança, nem sei se tinha, se podia, se esperava. O ideal seria uma segunda chance... E olha que eu odeio toda segunda chance! Mas nesse caso cabia. Depois de todo o descompasso, o embaraço e aquele início sem meio nem fim, só me remetia a uma única coisa: Alana adormecia sem mim.
Isso jamais seria aceitável!
(Eu projetava a voz pelo espaço como aquele velho ator torto, surdo e impuro).
Depois de anos morando na Avenida do Eu Te Amo, me deixar solto pra qualquer inseto vir e me picar? E a alergia?
Querem mesmo saber?
Eu é que não fico aqui, infeliz, vivo e ao mesmo tempo, extinto.
Cansei de rimar alergia e alegria.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Show bar
Vim aqui compartilhar do meu desespero.
Eu gosto, eu gosto de sentir esse cheiro, mas não é de hoje que procuro cheirar outros cantos, pra não enjoar. Então eu me viro, olho, olho e me desaponto, como se esperasse encontrar alguém ali atrás.
Vim, na verdade, contar meu novo sonho.
Essa noite me custou a passar, passados que foram derretidos voltaram a me assombrar, me vi presa entre seis ou sete vidas, como um gato de rua e suas feridas. Então eu me pesco de volta, como se esperasse encontrar uma minhoca na isca.
... Vim abraçar o saudosismo.
Nesse exato minuto eu me lembro de quão inocente e amante eu me mostrava, ao mesmo tempo arranhava meu próprio pescoço, sem notar que era eu quem sangrava. Então eu subia no balcão, como aquela putinha alternativa a se mostrar.
Eu gosto, eu gosto de sentir esse cheiro, mas não é de hoje que procuro cheirar outros cantos, pra não enjoar. Então eu me viro, olho, olho e me desaponto, como se esperasse encontrar alguém ali atrás.
Vim, na verdade, contar meu novo sonho.
Essa noite me custou a passar, passados que foram derretidos voltaram a me assombrar, me vi presa entre seis ou sete vidas, como um gato de rua e suas feridas. Então eu me pesco de volta, como se esperasse encontrar uma minhoca na isca.
... Vim abraçar o saudosismo.
Nesse exato minuto eu me lembro de quão inocente e amante eu me mostrava, ao mesmo tempo arranhava meu próprio pescoço, sem notar que era eu quem sangrava. Então eu subia no balcão, como aquela putinha alternativa a se mostrar.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Exclamava olhos de desistência
Amargava a boca e o figo da semana passada
Engolia a plenitude que lhe faltava e escarrava a boa vontade ingerida no café da manhã.
Desossava o passado como se margarida fosse,
expremia a ferida e dois goles de tinta nanquim talvez bastasse.
Como se tudo fosse digerível...
Como se intuito, poesia e coração, fosse dirigível.
Amargava a boca e o figo da semana passada
Engolia a plenitude que lhe faltava e escarrava a boa vontade ingerida no café da manhã.
Desossava o passado como se margarida fosse,
expremia a ferida e dois goles de tinta nanquim talvez bastasse.
Como se tudo fosse digerível...
Como se intuito, poesia e coração, fosse dirigível.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Sempre fui esse grito interno que vive a ecoar enquanto sinto. Sinto e muito, tanto que quando digo é por saber, qualquer dois ou três se somam em qualquer divisão mas nem sempre dá dízima, o que é incrível, se for parar pra pensar.
Tem dias que me bloqueio, tentando puxar pra mim o que fica lá na frente, ou o que eu acho que fica. Criei uma proteção ao que é descartável. Uma capinha, uma cápsula, um colete a prova de balas pra amortecer quando atirarem em mim. Senti, dia desses, a bala atravessando minhas pernas enquanto eu caía e tentava alcançar qualquer coisa segura. Não achei nada.O final vocês já sabem, tudo sumiu sem deixar meio indício.
Totalmente diferente de todos os inícios.
Tem dias que me bloqueio, tentando puxar pra mim o que fica lá na frente, ou o que eu acho que fica. Criei uma proteção ao que é descartável. Uma capinha, uma cápsula, um colete a prova de balas pra amortecer quando atirarem em mim. Senti, dia desses, a bala atravessando minhas pernas enquanto eu caía e tentava alcançar qualquer coisa segura. Não achei nada.O final vocês já sabem, tudo sumiu sem deixar meio indício.
Totalmente diferente de todos os inícios.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
"é incrível como as vezes eu sinto frio. há noites eu sinto frio... e talvez nem seja pela chuva que lavou o rio. é cru, no duro, frio. eu juro que não entendo, eu cavo, cavo, poço adentro e sempre me encontro lá, procurando um pé da bota que tirei pra entrar em casa. bem me lembro como era rasa a vida. engraçado que continua sempre rasa e eu sempre intenso sempre tentando ser mais do que sou e sempre acabo não sendo nada além do que fui dia desses.
eu olho pro lado e não vejo ninguém
eu olho pra frente e não vejo ninguém
surreal como a gente se sente sozinho quando o frio entra e só sobra você, o pires sem a xícara, a xícara sem chá, o chá sem açúcar e o açúcar... sem sal."
eu olho pro lado e não vejo ninguém
eu olho pra frente e não vejo ninguém
surreal como a gente se sente sozinho quando o frio entra e só sobra você, o pires sem a xícara, a xícara sem chá, o chá sem açúcar e o açúcar... sem sal."
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Engolindo a mim mesma, cavando nesse imenso e profundo mar de nada, esqueci ali fora dois botões. Talvez fossem da minha saia. Devem ter descosturado enquanto eu costurava minhas noites. Não é possível, devem ter desligado meu aparelho, não me vejo mais a respirar. Vou aprontar as malas, o trem parte depois do próximo apito. Abri o zíper, devagar...
Guardei um pedaço de renda, um cadáver de cigarra, ar.
Guardei doze xícaras quebradas, um pouco de torta, mar.
Guardei aquelas cartas, aquelas, fartas, par.
Guardei o escárnio e o maldizer.
Guardei a tristeza e o querer.
O deleite, o descaso e os traços.
Guardei o ir e vir.
O ir, o vir, e o ficar.
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